Eu sei que o Dia dos Pais já passou e pode parecer retardatário falar sobre ele agora, mas confesso que não consegui escrever nada nas semanas que o antecederam. Pensei, pensei e nem uma linha que saísse do senso comum, daquela velha história de “mais do mesmo” brotava desta cabecinha. Já tinha deixado para lá até que a convivência do almoço de domingo levantou alguns pontos.
Eu não tinha comprado nenhum presente e só no supermercado, no domingo, que decidi por uma caixinha de chocolate. Aí mora o primeiro aprendizado: a única coisa que verdadeiramente importa das datas comerciais é a oportunidade de estarmos juntos.
Em nenhum momento tive vergonha de chegar com aquele singelo pacotinho porque tinha a segurança de que fosse ele ou um relógio caríssimo o contento seria o mesmo porque ele vem da certeza que o fiz carregado com os melhores sentimentos que carrego no coração, e esse é o segundo aprendizado: sabemos qual é a base que nos conecta.
O terceiro foi uma repetição do que acontece todos os dias: a preocupação em prover, agradar, tirar de si para beneficiar o todo. Assim que acabamos de almoçar os chocolates foram parar sobre a mesa. Gente, isso para mim é muita prova de amor! Brincadeiras a parte, a satisfação em comer com os seus é infinitamente maior que o privilégio de saborear aquilo tudo sozinho.
Eu já falei aqui em outras oportunidades que não conheço meu pai biológico. Lembro que o primeiro Dia dos Pais que estava namorando com o Alisson ele chegou cheio de dedos, como se aquilo fosse um grande trauma para mim, mas não era, nunca foi.
Todo mundo conta que meu avô ficou arrasado quando a minha mãe engravidou (só porque ela tinha 16 anos kkkk) e depois abobado quando nasci, a ponto de querer deixar o trabalho só para ficar me olhando no berço. Claro que não lembro desses primeiros dias, contudo, cada vez que vejo uma foto nossa, juntos, reconheço esse amor.
O Plínio chegou quando eu tinha cinco, mas só fomos dividir a mesma casa com 13. Esse merece medalha: viveu primeiro porre, crises existenciais da adolescência, brigas de arrepiar o cabelo entre eu e minha mãe, habilitação, raladinho na roda do carro… senhor!
O cara se saiu tão bem que meu irmão, que nunca quis ter filhos, assumiu com maestria a mesma função na vida da Lully, que nasceu para ele também aos 13 anos. A vida foi especialmente boa para mim. Se eu tivesse tido a oportunidade de listar as características que acho fundamentais num grande homem e as entregue para Deus, certamente não teria acertado tanto.