quinta-feira, abril 3, 2025
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A Floresta do Boigi – Lendas e Relatos (n° 567)

Segundo antigos relatos de viajantes que percorreram a região de Mogi Mirim no início do século XIX, em nossa terra existiu uma grande e belíssima floresta. Centenárias árvores erguiam-se majestosas e altaneiras, sombreando o solo e proporcionando excelentes madeiras de lei, frutas e flores multicoloridas. Nas clareiras e campos limítrofes, vicejavam dezenas de frutas silvestres: uvais, araças, gabirobas, marmelinhos, araticuns, cajuzinhos rasteiros, pitangas e cabeludinhas…
A fauna compreendia elevado número de animais, como capivaras, antas, onças pintadas e pardas, macacos, cervos, pacas, cotias, jaguatiricas. Entre as aves estavam tucanos, papagaios, periquitos, araras, mutuns, garças e gaviões. A fauna ictiológica era riquíssima, com dourados, piaparas, pintados, surubins, mandís, piavas e curimbatás. Répteis proliferavam: jacarés, lagartos e cobras de toda espécie.
Tudo indica que essa riqueza das florestas mogimirianas, além da abundância de água e solo fértil, foram fatores de grande influência na atração dos antigos bandeirantes, ao escolher Mogi Mirim, na instalação de um primitivo e acolhedor pouso em suas corajosas marchas rumo ao sertão, em que estavam na intensa procura de ouro e pedras preciosas nas regiões de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.

Lendas Folclóricas

Entre os séculos XVI e XVII, corriam sobre as matas do Boigi numerosas lendas. Terríveis e fantasmagóricas histórias e que chegavam a afastar muita gente da intenção de adentrar as, quase, impenetráveis florestas da região.
Antigos cronistas de Jundiaí, onde iniciava a grande floresta, escreveram sobre essas lendas e crendices populares, descrevendo grotescos monstros e plantas fantásticas que existiriam no coração das matas: o Coruqueama, enorme e monstruoso ser, com mais de cinco metros de altura; os Guaiasis, minúsculos seres, ferozes, que andavam em bandos de centenas; as Giboiças, gigantescas serpentes que beiravam oito metros de comprimento; os Matuiús, criaturas com pés virados ao contrário e que, apesar desse fato, eram rapidíssimos; o Aí, bicho-preguiça gigante; a lara, metade mulher e metade peixe, que atraía pessoas para a morte em lagos e rios e a Simia Vulpina, misto de macaca e raposa, com cerca de três metros, morando nas mais altas árvores da floresta.
Também a flora era assustadora. Segundo essas antigas lendas, havia a Comedoras-de-Gente, grandes flores e tubos vegetais, que chegavam a engolir animais e pessoas; as Árvores-de-Vidro, cujas flores, frutos e folhas assemelhavam-se a vidro afiado e venenoso, cortando quem delas se aproximasse, e as Árvores-de-Fogo, que queimavam quem tocasse em seus galhos e folhas.
Numa época onde imperava a crendice e a superstição, essas histórias apavoravam quem ousasse penetrar na misteriosa floresta, repleta de perigos, normalmente, e acrescida desses mitos assustadores. Mas, por volta de meados do século XVII, uma gente que não se amedrontava com nada acabou adentrando as matas do Boigi. Homens rudes, de têmpera férrea e ambições sem medida, os Bandeirantes enfrentaram os perigos dos sertões e, por volta de 1682, fundaram um pouso em local propício. O pouso do Boigi seria o precursor da futura Mogi Mirim.

Túnel do Tempo

Em janeiro de 1945, a Igreja Presbiteriana Independente, o mais antigo templo evangélico de Mogi Mirim e com sede à Rua Chico Venâncio, possuía 96 fiéis. Durante o ano de 1944, realizou 31 batizados masculinos e 65 batizados femininos, além de um casamento.

Preceitos Bíblicos

“Quem respeita a sua mãe é como alguém que junta tesouros. Quem honra seu pai, alcança o perdão dos pecados, evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Filho, respeite seus pais na velhice e não lhes cause desgostos. (Ecles. 3, 4-5-14).

Legenda: Foto de 1928, focalizando antigos motoristas mogimirianos: Antonio Guaio, Adalberto Miranda, Raul Pereira, Nelson Patelli, meu pai, e José Ribas. O local era a Fazenda Piteiras, para onde eles transportaram convidados de um casamento. Sentados, esperam o fim da cerimônia.

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