sexta-feira, abril 4, 2025
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A PM que a sociedade deseja

Prover a segurança é um dos deveres constitucionais mais elementares do Estado, levado a compor um aparato de garantia dos direitos de cada cidadão, contendo a violência e mantendo a ordem. Neste sentido, o Brasil é um país que registra alta inadimplência com a sociedade, incapaz de fazer frente à escalada do crime organizado, que se manifesta das formas mais hediondas e atrevidas, desafiando a lei, as autoridades e até os altos muros dos presídios.

O diagnóstico do problema é tão elementar quanto a receita para resolvê-lo. Faltam investimentos na estrutura de segurança, policiais são mal remunerados, mal treinados e, via de regra, desmotivados. Em muitos casos faltam viaturas, combustível, manutenção, armamentos, prédios adequados, material de trabalho, em conjunto que torna impossível esperar um desempenho que suscite na sociedade um grau de confiança compatível.

No Estado de São Paulo, a situação é realmente grave, mas ainda existe um esforço para recompor a estrutura de segurança. É verdade que, no estado mais rico da nação, os policiais estão entre os que menos ganham em todo o país, mas há um perceptível esforço para que a segurança pública saia do discurso e caia na realidade da dura repressão ao crime. Ainda assim, o caráter essencial da ação policial não permite tolerância que não seja a garantia plena da integridade de cada cidadão e a preservação de seu patrimônio.

Em meio a tanta crise, fica realmente difícil dissociar a ação policial da fragilidade da instituição, da truculência desnecessária que ainda se verifica nas abordagens, na inépcia de alguns agentes claramente despreparados para lidar com a população. Não faltam exemplos, de blitze de trânsito nas ruas, a campos de futebol e, mais evidente, nos conflitos de rua que sacudiram a paz nacional no meio deste ano.

Ainda assim, é louvável o desapego e o entusiasmo de alguns policiais militares, engajados em trabalhos nas comunidades, seja através dos programas específicos da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ou por iniciativa própria, demonstrando que, de tudo, sempre se pode esperar um facho de dedicação ao próximo, de respeito à sociedade, de compromisso com a comunidade e de valorização do ser humano, conforme reportagem especial de O POPULAR no sábado.

Que o exemplo destes policiais diferenciados seja evidenciado pela sociedade de forma a mudar o conceito que se tem da instituição, mas que também reflita como parâmetro para alguns que, vestindo a farda, esquecem-se que a polícia é parte ativa da sociedade e que o que deve ser combatido é a violência, não o cidadão.

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