Dia 6 de novembro de 1973. Rua Dr. Norberto Araújo Coelho, 166, Jardim Longatto. Há exatos 41 anos, um crime abalava a cidade de Mogi Mirim. Um homem disparou três tiros contra sua mulher na residência em que moravam com seu filho. Era madrugada de terça-feira, por volta de 1h30, quando gritos e os barulhos de tiros puderam ser ouvidos por vizinhos.

Moradores do local, que presenciaram o acontecimento, revelaram ao O POPULAR que a mulher foi atingida na mão, no rosto e no tórax, este último perfurando seu pulmão. Tudo aconteceu em um dos quartos da residência. Atingida, a vítima se trancou no banheiro, enquanto o companheiro ameaçava atirar contra o filho do casal, que estava dormindo, caso ela não saísse do local em que se trancou.
Mais dois disparos foram efetuados na cabeceira da cama do garoto, na época, com aproximadamente dois anos, como uma forma de ameaça, para que a última bala que estava no revólver fosse utilizada para matá-la, segundo relatos da fonte ouvida pela reportagem, que não será identificada.
Os personagens envolvidos nesta história são Cleyton Fávero e Tereza Polidoro, avós de Malcown Kelber Fávero, de 23 anos, que matou a tiros a companheira Camila Pereira, de 19 anos no sábado, em um hotel da cidade.
Sem sucesso na tentativa de matar Tereza, Clayton disparou o último tiro contra seu braço esquerdo, para simular um suposto caso de assalto a residência da família, e se livrou da arma, jogando-a em um córrego na Vila São José. “Ele premeditou muito bem. Não foi preso porque a esposa não o entregou”, disse a pessoa que acompanhou a tentativa de homicídio na época.
Registro
O caso foi registrado pelo jornal A Comarca em sua edição de 11 de novembro de 1973. De acordo com a reportagem, Cleyton seguiu para a Delegacia de Polícia e contou que sua residência havia sido invadida por bandidos. Por conta dos ferimentos no braço, ele foi encaminhado à Santa Casa, onde minutos depois, Tereza deu entrada, acusando seu próprio marido.
“Conseguiram apurar, na ocasião, o delegado Cyro Vidal Soares da Silva e o investigador Oswaldo de Carvalho, que Cleyton comprara a arma numa cidade mineira vizinha e que realmente tentara matar a esposa”, cita um trecho da matéria. A tentativa de homicídio é atribuída a um desentendimento entre o casal, já que a esposa desconfiava de um caso extraconjugal do marido, que segundo informações, teria se envolvido com uma mulher na empresa em que trabalhava à época.
Envolvidos continuaram casados
Após se recuperar dos ferimentos, o casal voltou a morar junto, após Tereza perdoar o marido da tentativa de assassinato que sofreu. Moraram em uma residência no Mirante, antes de voltar a viver na residência onde tudo aconteceu. Após isso, se mudaram para uma casa próximo à Biblioteca Municipal, onde ocorreu o crime envolvendo o filho do casal, Anderson Kleber Fávero, que matou a namorada Elaine Cristina de Paula e se matou em seguida.
Tereza e Cleyton se separaram anos depois e se mudaram da cidade. Segundo apurou O POPULAR, o homem mora na cidade de Frutal, em Minas Gerais, onde se casou com outra pessoa e administra um posto de combustíveis. Já a ex-esposa vive em Campinas, onde mora a outra filha do casal. A reportagem tentou, mas não foi possível contatar os personagens citados nesta matéria para que eles se pronunciassem sobre o caso.
Carta de assassino é encontrada e documento deve ser investigado. Clique aqui e leia a carta na íntegra.