sábado, abril 5, 2025
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Bruno pra sempre: familiares e amigos se reúnem e realizam Caminhada da Fé

Não temos o hábito de falar sobre a morte, há receios e pouco pensamos nela. Não sabemos quando, mas um dia chegará. É o ciclo da vida. E, este ciclo chegou ao fim, para alguém de coração grande, sempre disposto a estender a mão ao próximo e de coração puro. Por decorrência de problemas cardíacos, a vida do mogimiriano Bruno Roberto Paschoalotti Vomero findou no último dia 30 de agosto.

Com 32 primaveras, ele deixou familiares, em especial sua mãe Liliana Paschoalotti, a Lili, a irmã Lisa e o pai Paulo, além de amigos, partindo para uma nova jornada. A ida de Bruno gerou, é claro, muita dor, mas também força e imensa união entre os que ficaram, dando início a uma nova jornada para aqueles que permaneceram neste mundo.

O ponto de partida se deu para cumprir uma promessa feita por Bruno pouco dias antes de falecer: percorrer o Caminho da Fé até Aparecida do Norte, de bicicleta. No ano passado, Momão, em referência ao Rei Momo, apelido carinhosamente concedido pelos amigos de infância ainda quando dispunha de uns quilinhos a mais, realizou o trajeto de moto e, comprometido com suas missões, voltaria ao local neste ano, mais precisamente no início de novembro.

Bruno não voltou em vida, mas acompanhou os passos dos que foram por ele e para ele, com a mensagem estampada no peito e dentro do coração: “O que fica é sempre o amor. Bruno para sempre…”.

O trajeto
A primeira leva partiu de Mogi Mirim: a mãe Liliana, as amigas Célia Leal e Rose Pauline, e os tios Eduardo e Soneli Paschoalotti, na terça-feira, 31 de outubro. A aventura teve o pontapé inicial em Borda da Mata, no Estado de Minas Gerais, seguindo até Tocos do Mogi e passando por Estiva, até chegar à cidade de Consolação.

O grupo caminhou com o suporte de um carro de apoio, guiado por Eduardo e Soneli. O veículo contava com água, colchão, comida, entre outros materiais e produtos, tudo para levar suporte aos romeiros. Sem contar a colaboração, de forma mais do que generosa, de moradores do Caminho da Fé, sempre dispostos a ajudar o próximo. São casinhas humildes onde é possível encontrar solidariedade e muito amor, o mesmo lema da viagem.

“Na estrada pude conhecer pessoas de todas as classes sociais e estilos, conheci a generosidade e a humildade mais de perto, cada um trilhando o seu caminho com um objetivo forte o bastante que nos fazia vencer cada obstáculo e superar limites”, disse Liliana.

Já em Aparecida do Norte, o #teambruno prestou mais uma homenagem; promessa cumprida. (Foto: Arquivo pessoal)

O caminho não é nada fácil. Ladeiras, muita terra, descidas e lugares em que somente com a ajuda de cajados é possível manter o equilíbrio. Toda a estrada é sinalizada e muitos romeiros colam adesivos em diversas partes para mostrar que ali estiveram. A mensagem de Bruno também ficou pregada por esses caminhos.

O time aumentou
Alguns dias de caminhada se passaram, com pousadas sendo o ponto de parada, até que o grupo foi tomando forma e recebendo o reforço de mais integrantes. Em Campos de Jordão, amigos de Bruno juntaram-se ao time: Mariana Pauline, Guilherme Saltorão, Flávia Costa, Juliana Zinetti e Mônica Pécoli. O time logo se transformou em um elenco. Ao final do dia, quatro amigos completavam o #teambruno: Luiz Zaniboni, Yuri Sbegue, Alexandre Almeida e Fernando Surur.

“No final da jornada já éramos 14. Todos juntos, dividindo a mesma dor, multiplicando o amor, superando nossos próprios limites e orgulhosos de termos cumprido essa missão que, primeiramente, era a do Bruno, e ao longo do caminho se tornou uma missão interna de cada um”, frisou Liliana.

A caminhada seguiu em frente com a jornada sendo finalizada no domingo, quando cerca de 40 pessoas, entre familiares e amigos, se encontraram para assistirem juntos à missa no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. “Aprendi que a amizade sincera e verdadeira não tem preço, pois todos que estavam lá amavam meu filho. Para esses amigos, a palavra amizade tem uma dimensão muito mais ampla, que é a dedicação, o respeito, companheirismo e a fé”, destacou.

Pelo trajeto, adesivos com a imagem e o lema da viagem foram colados em diversos pontos. (Foto: Arquivo pessoal)

O que ficou?

Além de fortalecer ainda mais a união do grupo, o Caminho da Fé gerou transformações internas em cada participante. Cada um sente à sua maneira, mas, de forma geral, Lili relatou seus sentimentos.

“As lições que ficaram é que a humildade é uma bênção de Deus. Todos que você encontra te desejam algo de bom. O caminho nos mostra que temos limites e, portanto, precisamos de ajuda uns dos outros, nos ensina a sermos pacientes, que temos que caminhar próximos. A natureza é maravilhosa e precisa ser preservada, os amigos nos fazem ficar mais fortes e a fé na vida é um dom de Deus que faz seguir em frente”, ressaltou Lili.

Parte 2 da jornada: ajuda ao próximo, assim como Bruno

Essa foi a primeira caminhada promovida pelo grupo, mas o objetivo é de que seja realizada todos os anos, se tornando uma tradição. Bruno ajudava ao próximo por meio de ações solidárias e, agora, com a união do grupo, o foco é realizar outros trabalhos que auxiliem quem necessita.

Reuniões irão ocorrer no próximo ano para que uma Organização Não Governamental (ONG) possa ser organizada em nome de Bruno. “Quando a gente perde um filho, os valores mudam, passamos a ver o mundo de uma maneira diferente. O que realmente importa nessa vida são os momentos que passamos juntos, os amigos que conquistamos e a fé de que a morte não é o fim. É uma passagem”, completou Liliana.

Rota do Caminho da Fé abrange cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais. (Foto: Reprodução)
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