quinta-feira, abril 3, 2025
INICIALOpiniãoArtigosEficiência energética na crise hídrica

Eficiência energética na crise hídrica

Por Marcel Serafim*

O Brasil enfrenta a pior crise hídrica dos últimos 91 anos e consequentemente aumentando os riscos sobre a geração de energia no país. Segundo especialistas, a situação dos reservatórios hoje chega a ser ainda mais grave do que em 2001, quando houve desabastecimento de energia.

Mesmo com uma matriz energética mais diversificada, com novas formas de geração – no ano de 2001 tínhamos 90% da geração com hidrelétricas e hoje a mesma matriz responde por 60% – os riscos são elevados para um país que tende a ter consumo energético mais acentuado nos próximos anos.

Com uma maior diversidade de fontes de energia construída nos últimos anos e com o aumento da participação da energia solar e eólica, o país ainda depende das usinas hidrelétricas. Porém, a preocupação com o sistema de geração elétrica se acentua devido aos índices pluviométricos previstos para os próximos meses não serem suficientes para elevar o nível dos reservatórios das usinas. Com o intuito de minimizar os riscos de falta de energia, uma das alternativas adotadas pelas autoridades competentes foi o acionamento de usinas térmicas com o custo de geração mais elevado; resultando na mudança da bandeira tarifária e na elevação dos custos de energia aos consumidores.

O grave cenário hídrico do país exige, portanto, medidas enérgicas e eficazes para afastar riscos de desabastecimento e racionamento de energia. O objetivo mais uma vez é a redução do consumo em uma ação conjunta de sociedade, empresas e governo. Porém, a atual crise pode ser uma oportunidade para o Brasil promover uma transformação e conscientização no consumo energético.

Os efeitos da redução do consumo seriam ainda mais amplificados com sustentação de ações por parte da indústria ao continuarem o movimento de investimento em novas soluções e equipamentos com maior eficiência energética, uma vez que o setor industrial é responsável por 35% do consumo de energia elétrica no Brasil. Analisando as cargas das plantas fabris, os sistemas motrizes representam 60% dos gastos com eletricidade, ou seja, mais de 26% do consumo total de energia no país está direcionado para estas cargas.

Como a energia é um insumo caro para a indústria, representando um custo estimado entre 20% a 25% no valor final do produto produzido, a economia gerada com a eficiência energética significa também ganho de competitividade para o setor. Todos os esforços para reduzir o consumo de eletricidade são importantes diante da gravidade da situação energética do país. A indústria e toda a população podem contribuir de forma significativa para que o Brasil enfrente essa nova crise, de forma sustentável e eficiente..

* Marcel Serafim é diretor de Produtos e Soluções da ABB Eletrificação

RELATED ARTICLES
- Advertisment -

Most Popular

Recent Comments