sexta-feira, abril 4, 2025
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Fábio Luciano e a desunião no vencedor Corinthians

No primeiro capítulo de seu bate-papo no Boteco, o ex-zagueiro Fábio Luciano recorda como era conviver em meio à guerra de egos no vencedor Corinthians e aborda qual a real importância da união para os resultados de um time.

Boteco – Qual sua história mais marcante em tantos anos?

Fábio – As melhores foram no Corinthians, porque era um grupo de personalidades muito diferentes, Edilson, Marcelinho, Rincón. Ao mesmo tempo em que a gente vivia momentos de euforia, vivia muitos problemas no grupo. Toda vez que tem um problema, depois de resolvido, vira uma diversão. Brigas que o Marcelinho tinha com o Rincón depois viravam motivo de piada no grupo. Mas eu sempre fui um cara muito sério na profissão. Onde tinha um pouco mais de bagunça eu ficava distante.

Boteco – Com quem você tinha mais proximidade?

Fábio – Eu tentava ter com todos, até porque eu era novo, não tinha porque ficar próximo de alguém, sempre fui de grupo, por isso acho que cheguei a ser capitão em todos os times, tentava manter uma harmonia com todos. Mas aquele grupo era um dos piores de se manter com todos. Como tinha problemas, você de repente ficar com um jogador causava uma situação complicada com outro grupo.

Boteco – Como era a divisão dos grupos?

Fábio – O Marcelinho tinha uma turma, o Rincón tinha outra, o Edilson, outra. Fora era complicado. Dentro era muito bem resolvido. A gente via que o Edílson tinha problema com o Marcelinho, mas no jogo o cara que mais passava bola pro Marcelinho era o Edílson e vice-versa. O Rincón tinha muito problema com o Marcelinho, mas quando o Marcelinho fazia um gol ele era o primeiro a dar um abraço. Era uma relação que para mim era confusa. “Como pode? Os caras se dão tão bem no campo e fora têm esses problemas de não sentar junto?”. Na hora do jantar, nunca sentaram juntos numa mesa.

Boteco – Você acha que isso mostra que a união não é fundamental para o sucesso de um time?

Fábio – Eu acho que é fundamental, esse time é muito específico. Porque eu fui campeão com o Flamengo e na Turquia só porque o grupo era muito unido. Às vezes falta um pouco de qualidade, só que a união te ajuda a chegar. Mas naquele time de repente essa união não era tão necessária, porque tinha muita qualidade, tanto que é colocado como um dos melhores times que o Corinthians já montou, de 98 até 2000, bi brasileiro e campeão mundial.

Boteco – Como o Palmeiras, de 93/94, de Edmundo, Evair?

Fábio – É isso aí, da Parmalat. Edmundo, Evair, tinha os caras que a gente sabia que tinham vários problemas de relacionamento, é o bom do jogador de alto nível, esse nível, da Parmalat, do time do Corinthians. Porque se você tem problema em um time que não tem tanta qualidade técnica, você não tem nem qualidade nem a união de um correr pro outro. Quando o time sabe separar bem isso, a gente não se fala em campo, mas vamos correr um pelo outro.

Boteco – O técnico influencia muito nesse sentido?

Fábio – A união do grupo não, mas o treinador consegue de alguma forma… O Oswaldo de Oliveira conseguia isso, ele sabia que o time tinha problemas, mas não deixava isso ser levado pro campo. “Vocês tem um problema, tudo bem. Mas aqui dentro não é o Edílson, o Fábio, o Marcelinho, aqui é o Corinthians, a gente carrega 30 milhões de torcedores. Da porta da preleção para fora, vocês podem ter problema, da porta pra dentro, a gente vai ter que correr”.

Boteco – Fábio volta para recordar a relação com torcidas organizadas, uma viagem a um jogo com uma torcida da Ponte Preta e contar como conseguia resolver confusões em revoltas de organizados na época de Corinthians e Flamengo.

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