quarta-feira, abril 2, 2025
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Furtados e depredados: centros esportivos vão parar nas páginas policiais

Definitivamente, o Esporte não vem sendo motivo de alegria em Mogi Mirim. Pelo contrário. De estruturas públicas às privadas, a situação beira o vexatório, e chama a atenção por reunir elementos compostos pelo abandono, falta de manutenção e até furtos e depredação. Com pouco mais de três meses completados em 2018, o panorama é recheado por percalços. Espaços públicos como o Ginásio Distrital Ângelo Róttoli, o Tucurão, e a Piscina Pública Municipal Paulo Borges Monteiro, ambos na zona Norte, de imensa tradição, passando pelo Núcleo Integrado de Atividades Sociais (Nias), no Mogi Mirim II, e chegando ao Estádio Vail Chaves, do Mogi Mirim, o cenário é desolador.

Ao invés do Esporte, os quatro espaços ganharam as manchetes por uma série de problemas. O resultado? A população longe da prática esportiva, do lazer e do bem-estar.

No Tucurão, muro destruído e torneiras furtadas
Falar da zona Norte e não fazer alusão ao Ginásio Distrital Ângelo Róttoli, o tradicional Tucurão, é tarefa difícil. Um dos mais populares espaços esportivos de Mogi Mirim, hoje está com as portas fechadas desde o final do ano passado devido a atos de vandalismo e até furtos. Quatro portas de madeira do vestiário e duas portas de ferro da sala do árbitro e do almoxarifado foram arrombadas.

Muro que dá acesso ao Tucurão foi destruído e invadido por marginais, que furtaram até torneiras. (Foto: Arquivo)

Marginais furtaram fios, baterias, conexões de mangueira, oito bolas de basquete e até hidrante. Isso motivou a Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer (Sejel) a interditar, de forma provisória, o ginásio, antes de promover os reparos e melhorias necessárias.

Em contato com O POPULAR, o secretário de Esportes, Marcos Antônio Dias dos Santos, o Marquinhos, afirmou que a parte elétrica vem sendo reposta, assim como o setor hidráulico e a alvenaria do ginásio. As torneiras serão realocadas e, para tentar evitar novos furtos, a Prefeitura prepara a instalação de alarmes em todo o ginásio.

A situação é vista sob um misto de revolta e indignação por parte do secretário municipal. “Está desanimadora (a situação), você assusta ao ver como as pessoas estão destruindo o patrimônio. Vivemos tempos terríveis, as pessoas perderam o amor e o respeito”, condenou Marquinhos.

Por diversos locais, ginásio foi danificado e depredado. (Foto: Arquivo)

Nas piscinas, até bombas foram levadas
Local que serviria para momentos de lazer e descontração, sobretudo aos moradores da zona Norte, a Piscina Pública Municipal Paulo Borges Monteiro, o Paulo Bolinha, localizada ao lado do Tucurão, está fechada há meses, por motivos que vão pela falta de funcionários da Prefeitura, no que diz respeito à manutenção, zeladoria e segurança e também pela falta de estrutura.

No início de janeiro, duas bombas das piscinas foram furtadas. Para o furto, os criminosos deterioraram o portão da sala onde as bombas ficavam e um cano foi quebrado, resultando em um vazamento. As bombas eram necessárias para que a água da piscina fosse limpa, o que não estava ocorrendo também por conta de os fios já terem sido roubados.

Fechadas, piscinas do Tucurão tem previsão de reabertura para o segundo semestre. (Foto: Arquivo)

Essa não foi a primeira oportunidade em que a área se tornou reduto de problemas. Em novembro do ano passado, parte do muro que separava a piscina do campo foi derrubada. Com problemas na infraestrutura, as atividades que eram realizadas no local deixam de ser executadas, como é o caso das aulas de natação e hidroginástica.

Marquinhos ressaltou que um novo muro será construído, assim como tenta viabilizar junto ao Poder Público funcionários para a piscina. Temeroso, não crava a data para reabertura, mas vislumbra abrir novamente o espaço em setembro.

No início de janeiro, as duas bombas das piscinas foram furtadas. (Foto: Arquivo)

Abandonado, Nias virou reduto de corpo carbonizado
Visto como um alento para o Esporte na zona Leste, e encarado como uma ferramenta social capaz de transformar a vida de inúmeros munícipes por meio de modalidades como o futebol e o atletismo, o Núcleo Integrado de Atividades Sociais (Nias), no Mogi Mirim II, mostra, com exatidão, como a combinação descaso e abandono resulta na incompetência.

Construído em 2012, pelo ex-presidente do Mogi Mirim Esporte Clube, Rivaldo Vitor Borba Ferreira, como contrapartida pelas obras do Residencial do Jardim, empreendimento de luxo situado à Praça Floriano Peixoto, o Jardim Velho, e de responsabilidade do ex-atleta, se encontra em uma situação alarmante.

Atos de depredação são comuns em todo o espaço. Os alambrados estão danificados, a portaria destruída, os banheiros vandalizados e muros, paredes e até a arquibancada tomados por pichações. O campo de futebol mais se assemelha a uma floresta e a pista de atletismo está deteriorada.
Em fevereiro, um corpo carbonizado foi encontrado enterrado dentro de uma área no Nias.

Largado, Nias acumula problemas e não oferece nenhuma prática esportiva. (Foto: Arquivo)

Na semana passada, um homem de 23 anos e uma mulher, de 43, ambos moradores em situação de rua, confessaram à Polícia Civil o assassinato de Robert Luan Augusto, de 17 anos, desaparecido desde 19 de fevereiro, e que o corpo encontrado no espaço era do jovem desaparecido.

Em setembro do ano passado, restos mortais de um corpo humano foram encontrados em uma área verde próxima ao Nias. Nesse caso, a ossada foi localizada por um catador de reciclagem, que acionou a Guarda Civil Municipal (GCM). Atualmente, não existe nenhuma aula, seja de futebol ou atletismo ou qualquer modalidade esportiva no Nias.

E ai Mogi? Estádio Vail Chaves está ao deus-dará
Principal patrimônio do Mogi Mirim Espore Clube, e já marcado na história do município, o Estádio Vail Chaves acompanha os companheiros municipais, e mesmo de propriedade do clube, comandado pela direção do presidente Luiz Henrique de Oliveira, apresenta sinais de desleixo, e de que quando o trabalho é mal conduzido, os reflexos negativos são inevitáveis.

Há duas semanas, O POPULAR denunciou o estado de abandono em que se encontra a casa do Sapo que, por conta da falta de laudos de segurança, não pôde receber os jogos do Mogi no Campeonato Paulista da Série A3. Localizado atrás da arquibancada principal, popularmente conhecida como tobogã, o terreno utilizado para estacionamento de carros em dias de jogos lembra o cenário encontrado em áreas públicas da cidade.

Cena em um terreno que servia como estacionamento mostra bem o descaso da diretoria com a casa do Mogi Mirim. (Foto: Fernando Surur)

Além do mato, que de tão alto já tomou conta de parte do espaço, muita sujeira está espalhada. Alí, se encontra de tudo. Caixas e frascos de produtos de limpeza, copos descartáveis, garrafa de isotônicos, sacolas, papelão e até embrulhos plásticos de fardos de cerveja em lata, em cena que mostra bem a degradação.

Perto ao túnel que dá acesso ao gramado usado pela equipe de arbitragem o matagal também é visto, assim como um bebedouro, abandonado. O gramado apresenta imperfeições e a área do campo usada para aquecimento e demais atividades dos atletas, atrás do gol dos visitantes, ao fundo do estádio, tem a grama alta e com falhas, dificultando ainda mais o trabalho.

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