sexta-feira, abril 4, 2025
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Mais respeito e transparência

A notícia caiu com uma bomba e eclodiu nas sedes dos poderes Executivo e Legislativo. As 159 Funções Gratificadas concedidas a funcionários da Prefeitura se tornaram alvo de críticos à atual Administração Municipal, tendo a questão financeira como tema central. De um lado, ataques a uma possível despesa extra na folha de pagamento, afetada por uma crise sem precedentes. De outro, a Prefeitura tratando o caso com naturalidade, e explicando se tratar apenas de uma substituição ao corte de horas extras, imposto pelo prefeito em abril e visando à contenção de despesas.

Desde a noite de segunda-feira, quando o caso foi escancarado na Câmara Municipal, ataques a Carlos Nelson e sua equipe, que não estariam fazendo jus ao discurso de que o momento é de corte de gastos, e não de mais despesas. Na prática, como publicado nesta edição, na página A7, o Executivo preenche uma lacuna aberta dentro de seu quadro de funcionários, desde o início da gestão de Carlos Nelson. Há quem diga que parte dos profissionais já vinha fazendo uma espécie de greve branca, atuando da maneira que achava necessário e não cumprindo ordens, justamente pela falta de chefes e coordenadores de equipe que comandassem as funções nas mais diversas secretarias municipais.

Assim como no episódio em que anunciou o aumento de seus salários, baseado em uma lei de 2014, que autorizava o repasse, Carlos Nelson se viu em meio a um turbilhão político totalmente desnecessário. Não se questiona a medida em si, de caráter financeiro, explicada de forma técnica e coesa pelo secretariado do prefeito, mas sim a maneira como chegou ao conhecimento público.

Em período de crise financeira, passes de mágica da Secretaria de Finanças para honrar os compromissos mensais e dar fôlego aos cofres públicos, e falta de recursos para todas as áreas da Administração, não informar claramente sobre os FGs soa como curioso e estranho. Era óbvio que as críticas chegariam com intensidade, em especial na Câmara Municipal, onde a oposição vem deitando e rolando contra o prefeito.

Carlos Nelson poderia não ter que dar satisfações aos vereadores, que parecem aproveitar a situação para esculhambar o prefeito, mas sim utilizar seus canais de comunicação, como assessoria de Relações Institucionais, redes sociais, ou entrevistas coletivas, para elucidar o caso. Existe o dever de informar decisões de interesse público e esclarecer o assunto com exatidão, e não por denúncia ou a notícia pela metade.

Quanto aos vereadores, atacar o prefeito, secretários ou quem quer que seja, não parece o melhor caminho. Expor um problema com coesão e conhecimento é algo aceitável, agora atitudes como a do vereador Samuel Cavalcante (PR), de ofender o prefeito com termos como ancião e besta, mostram o quão baixo anda o nível da Câmara em determinadas situações e a falta de preparo para exercer o cargo. Muitas vezes, faltam classe, inteligência e educação.

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