Agosto é um mês importante para o Mogi Mirim Esporte Clube. Foi em 29 de agosto de 1943 que ocorreu uma das inaugurações do Estádio Vail Chaves. Talvez seja esta a mais simbólica, por mais que não haja ainda uma literatura bem detalhada sobre a cronologia dos campos de futebol utilizados pelo Sapão da Mogiana. Aliás, não há uma definição clara sobre a sua data de fundação, quiçá de suas praças esportivas.
Fato é que o clube fez sua primeira partida de futebol, em 1903, já em um estádio com arquibancadas, por mais rústicas que fossem. Os registros desde então, sobre os locais em que o clube mandava seus jogos, não são precisos. Mas, a partir da década de 1930, começa a indicação do uso do terreno em que atualmente está o prédio da Santa Casa de Misericórdia.
O estádio também foi usado pela Associação Athletica Mogyana, pelo Club de Jogos Olímpicos e pela Associação Mogyana de Esportes Athleticos (Amea). Entre tantos registros, um que expõe bem é uma matéria do “Jornal de Notícias” de 1º de agosto de 1947, que retratava o início de uma quermesse em benefício das obras do novo Hospital da Santa Casa de Misericórdia. “O prédio está edificado na Praça Duque de Caxias, no antigo campo de futebol do Mogi Mirim EC e ocupa uma grande área”.
Porém, quem hoje imagina a praça como um terreno pequeno, defronte à Igreja de São Benedito, precisa entender que, somente em setembro de 1952, na gestão de José Theófilo Albejante, é que o trecho entre a Praça Duque de Caxias e a rua Monsenhor Moisés Nora passou a se chamar Rua Maestro Azevedo. Mas, vamos retornar à atual casa do MMEC, o Estádio Vail Chaves.
De acordo com a obra “Monografia da Cidade de Mogi Mirim – Estudo de Aspecto Geográfico”, de autoria de Antenor Ribeiro, também conhecido como o Monógrafo Filemon, publicado na década de 1960, o Mogi Mirim EC, “antiga associação esportiva”, mantinha ao norte da cidade o “Estádio Vail Chaves”, inaugurado parte em 5 de dezembro de 1937 e oficialmente em 1938. Para dar ainda mais base, em 30 de abril de 2016, a coluna “Pintaca & Rosana – Em Histórias da Cidade Simpatia”, publicada pelo jornal o Impacto, apresenta fotos exclusivas do acervo de Orlando Bronzatto.
Nesta galeria, há imagens da terraplanagem do campo, inclusive, com uma tomada aérea que retrata as raias para o turf, modalidade de corrida de cavalos que, inclusive, consta no Estatuto Social publicado pela agremiação em janeiro de 1938 como uma das modalidades a serem cultivadas como um dos fins da existência do clube. Ali, o ainda “Mogy-Mirim Esporte Club” recebera a área por doação verbal dada por Vail Chaves, então superintendente da Empresa de Força e Luz, então proprietária da área.
Anos depois, o terreno passou da empresa para o Governo do Estado e um novo trâmite precisou ser iniciado para que a agremiação, principal representante do esporte para o povo mogimiriano, pudesse ser, de fato, dona daquela área na qual foram aplicados recursos de apaixonados pelo clube e também do poder público. Esta parte da história fica para um próximo encontro, em que também voltaremos ao dia 29 de agosto de 1943, uma das datas de festa e marcada como inauguração do estádio deste centenário patrimônio imaterial de Mogi Mirim.
Lucas Luís Valério é graduado em comunicação social pela Universidade Paulista (Unip) em 2009.