sábado, abril 5, 2025
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O Natal e a Omelete de Amoras

As luzes de Natal começaram a brilhar. O colorido está na Praça Rui Barbosa, no Centro, árvores de Natal já decoram diversas residências e vitrines de lojas, guirlandas estão sendo produzidas e Papais-Noéis começam a ser pendurados nas portas das casas… Sentimentos vêm sendo despertados nesta época do ano, algumas pessoas ficam felizes e têm boas lembranças, enquanto outras nem tanto, se sentem tristes e magoadas.
Eu, particularmente, tenho boas e más lembranças nessa época do ano. Até porque, como roda-gigante, é aquele velho clichê: uma vida feita de altos e baixos. Mas uma coisa que eu me recordo é de uma pessoa que sempre dizia que este período do ano tem cheiro de alegria. Até hoje não sei exatamente o que significa o tal “cheiro de alegria”, mas deve ser, pelos relatos que obtive, a sensação de bons sentimentos devido às situações ocorridas neste período durante sua vida. Como assim?
Assim: vocês já ouviram falar de um conto chamado Omelete de Amoras? É do autor (crítico, filósofo, sociólogo, tradutor) Walter Benjamin! Ele fala sobre um rei que queria comer novamente uma omelete de amoras como a que teria saboreado há cerca de cinquenta anos. No conto, ele chama seu cozinheiro predileto e pede a ele que produza a omelete para sentir o mesmo sabor.
O cozinheiro explicou ao rei que conhecia a receita, assim como a técnica empregada na produção, mas que jamais alcançaria seu desejo, que era sentir o sabor da omelete de amoras novamente. O motivo? Vocês imaginam? É que as circunstâncias pelas quais ele (agora rei e seu pai) havia passado é que acabou por gerar o sabor todo especial.
Na verdade, não era a omelete que o faria alcançar o sabor provado há mais de 50 anos, mas sim o contexto por qual a dupla haviam passado, que foi uma fuga pela floresta cheia de perigos. Na ocasião, o rei e seu pai estavam em fuga e mortos de fome, quando receberam abrigo de uma senhora, que ofereceu uma omelete de amoras aos dois…
Neste caso, voltando ao final de ano, que para a pessoa citada tem cheiro de alegria, pode ser que o sentimento esteja atrelado ao contexto por qual tenha passado. Talvez os passeios com algumas pessoas queridas, as férias escolares, o cheiro da pipoca e do churros exalando dos carrinhos da praça, os sons dos sinos e das músicas natalinas, as cores das árvores e luzes é que proporcionam esse sentimento. Não sei, pode ser isso.
E as suas lembranças de Natal? Como são? Me contem. Abri um e-mail para conversarmos e me enviarem sugestões de temas. É: [email protected].

Ludmila Fontoura é jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a Puc-Campinas, além de Historiadora e pós-graduada em História Social pelas Faculdades Integradas Maria Imaculada de Mogi Guaçu, as Fimi.

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