A aglomeração de manifestantes na rodovia SP-340, que não aceitavam a derrota de Jair Messias Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida para a Presidência da República entre 2023 e 2026, chegou ao final. Na noite de quarta-feira, 2, a pista começou a ser liberada. Os atos contra o resultado do pleito eleitoral gerou inúmeros transtornos a trabalhadores e pessoas em geral em todo o país, inclusive na região, como horas de congestionamento em rodovias, falta de transporte coletivo, além de reflexos no desabastecimento de inúmeros itens.
O movimento foi capitaneado por caminhoneiros, apesar das associações da classe terem procurado se desvincular da responsabilidade pelos atos, alegando que são casos isolados. Os protestos, de toda forma, reuniram fanáticos por Bolsonaro, o primeiro presidente a perder em uma tentativa de reeleição e que entrega o cargo para o qual foi eleito em 2018 no próximo dia 31 de dezembro.
Caminhões e máquinas agrícolas interditaram as duas pistas da Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), no quilômetro 156, próximo ao Posto Varanda. O congestionamento chegou a seis quilômetros nas pistas norte e sul em alguns momentos do protesto, que teve início às 16h30 de segunda-feira, 31 de outubro.
Carros de passeio, ambulâncias e ônibus conseguiam atravessar o bloqueio pelo acostamento, mas enfrentavam a lentidão. Outra situação verificada durante a semana foi o pedido coordenado por uma intervenção militar. Na manhã de quarta-feira, 2, houve concentração em Mogi Mirim de manifestantes em frente ao Tiro de Guerra. Eles atenderam à convocação nacional de concentração em frente aos quartéis exigindo a intervenção das Forças Armadas no país.
Justiça
O bloqueio de outras rodovias no estado de São Paulo e pelo Brasil também começaram ainda no domingo, 30, data do segundo turno da eleição. Nesse mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, após o caso ser levado à Suprema Corte, a imediata desobstrução de rodovias e vias públicas que estivessem ilicitamente com o trânsito interrompido.
Alexandre de Moraes também determinou em sua decisão que a Polícia Rodoviária Federal adotasse imediatamente todas as providências, sob pena de multa de R$ 100 mil em caráter pessoal ao diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a contar de meia-noite de 1º de novembro, além da possibilidade de afastamento de suas funções e até prisão em flagrante de crime de desobediência, caso fosse necessário.
O ministro estipulou ainda multa de R$ 100 mil por hora para donos de caminhões que estejam sendo usados em bloqueios, obstruções ou interrupções. A Polícia Militar Rodoviária tentou a liberação da Rodovia SP-340 de forma pacífica, mas os motoristas de caminhão decidiram ficar no local. Eles receberam ajuda com água e alimentos para seguirem com a mobilização. O apoio logístico aos protagonistas do caos nas rodovias deve ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). As manifestações, com consequências contra inúmeros direitos dos demais cidadãos, são vistas por especialistas como antidemocráticas e ilícitas.
A paralisação, por exemplo, causou reflexos no dia a dia dos mogimirianos. Faltam combustíveis nos postos e até mesmo o serviço de saúde foi afetado. A Prefeitura de Mogi Mirim chegou a emitir uma nota alertando que muitos médicos e profissionais da área não estavam conseguindo chegar aos seus postos de trabalho, orientando a população a procurar pelo serviço de saúde apenas em casos de emergência.
Outra situação foi a ausência de transporte coletivo para aqueles que dependem de ônibus para trabalhar, estudar e até para se tratar. Viações como a Santa Cruz e a Cometa cancelaram, a partir de terça-feira, 1º, quase 100% das viagens, como as que partiam de Mogi Mirim com destino a Campinas (SP) e São Paulo (SP). Na região, também foi registrado bloqueio na Rodovia SP-352, que liga Itapira (SP) a Jacutinga (MG), além de trechos em Mococa (SP), São João da Boa Vista (SP) e Casa Branca (SP).
Emergência
Na quarta-feira, 2, foi publicado no Diário Oficial do Município o decreto do prefeito Paulo de Oliveira e Silva (PDT), instituindo situação de emergência pública em Mogi Mirim em razão da escassez de oferta de combustíveis nos postos de abastecimento em operação na cidade.
Assim, todos os estabelecimentos que comercializam combustíveis no Município ficaram obrigados a assegurar prioridade de abastecimento para os veículos utilizados na prestação de serviços públicos essenciais à população, e também reservando para tais finalidades a quantidade mínima de 5% (cinco por cento) de seus estoques de gasolina, óleo diesel e etanol, garantindo assim que os serviços serão oferecidos pela Prefeitura.
A prioridade é garantir que o transporte de passageiros da Saúde e de alunos da rede pública, além de serviços como de segurança pública, defesa civil, coleta de lixo e coleta de entulhos sejam mantidos. Porém, a Prefeitura destacou a maior preocupação com o transporte de pacientes.
“São aproximadamente 2.000 por semana, tendo em vista que só nesta terça-feira, 1º, 30 pacientes não conseguiram, devido às paralisações e bloqueios, chegar aos hospitais nos quais fazem seus tratamentos em cidades como São Paulo, Sorocaba, Americana, Campinas e Nova Odessa. Destes, quatro são pacientes em estado grave, que perderam suas sessões de radioterapia, em São João da Boa Vista”, frisou o Executivo em nota.
CRÉDITO DAS FOTOS: ROBERTO TORRECILHAS