A realização do jogo entre Ponte Preta e São Paulo, na quarta-feira à noite, no estádio do Mogi Mirim Esporte Clube, deveria ser motivo de festa para os torcedores e aqueles que apreciam o futebol. Afinal, tratava-se de uma semifinal internacional histórica por envolver um dos times grandes do Brasil e uma equipe de tradição em busca de seu primeiro título.
O jogo em si, e os acontecimentos que decorreram da classificação do time campineiro para a inédita final, fizeram a festa que se poderia esperar do evento. Uma torcida acanhada para a importância da decisão comemorou o resultado com alarde mas sem violência, transformando o estádio, as ruas da cidade e, depois, Campinas, em palco da alegria de milhares de ponte-pretanos.
Passado o episódio, é interessante perguntar a quem interessa o verdadeiro clima de guerra que se instalou na cidade antes do jogo. Alguns críticos julgam exagerada a observação – opinam depois que tudo terminou bem, por óbvio – mas não se pode negar a visível preocupação que o jogo trouxe para a comunidade.
Não houvesse risco, o aparato de segurança não precisaria ser reforçado com 400 policiais militares, canil, motos, helicóptero, além das providências de fechamento das ruas, isolamento das torcidas, escolta de ônibus desde Campinas e São Paulo. As próprias autoridades reconheceram o alto risco da partida.
O clima estava tenso, sim. Comerciantes e moradores das imediações demonstraram aflição em relação à violência possível, antecipando prevenção e gastos para preservar o patrimônio. Muitos torcedores abdicaram de assistir ao jogo – a Ponte Preta disponibilizou cem ônibus gratuitos mas não conseguiu lotar mais que cinquenta e poucos.
O encerramento trouxe a paz, felizmente. Mas cabe a indagação: a quem interessa a realização de um jogo destes em Mogi Mirim? A cidade viveu momentos dispensáveis de tensão. Se houvesse problemas, os danos e prejuízos seriam imensuráveis.
A segurança das pessoas esteve ameaçada. Bandidos de toda a região agradeceram o empenho de tantos policiais e recursos de segurança por uma mera partida de futebol. Amantes do futebol da cidade e região não eram bem-vindos, os ingressos sequer foram vendidos na cidade. A sujeira que ficou pelas ruas foi a melhor receita deixada para a cidade.
A resposta é simples: lucraram o Mogi Mirim Esporte Clube pelo aluguel do estádio, bares próximos e os ambulantes que se instalaram nas imediações, em improvisadas barracas que vieram até de Campinas.