A Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim confirmou que 17% dos funcionários serão demitidos a partir desta quinta-feira. O hospital não divulgou o número total de desligamentos. A unidade tem 540 trabalhadores e mais 70 médicos terceirizados. A medida faz parte de um plano emergencial, apresentado pelo novo provedor do hospital, Milton Braz Bonatti, e que tem por objetivo resgatar a Santa Casa da grave crise financeira. Segundo ele, as demissões vão reduzir em 30% os gastos com a folha de pagamento, sem comprometer o serviço prestado pela unidade à população.

Em reunião na Câmara Municipal, na manhã de terça-feira, o provedor trouxe outra notícia preocupante. A dívida do hospital é maior do que os R$ 33 milhões divulgados anteriormente. O débito já atinge a casa dos R$ 37 milhões. O provedor ainda explicou que o número de colaboradores também está sendo redimensionado. A Santa Casa passa por uma auditoria e os resultados desse trabalho devem ser mostrados no prazo de 100 dias.
Nesse momento, a prioridade do hospital é definir o que precisa ser pago de imediato, como os salários de médicos e funcionários. De acordo com Bonatti, 40% da folha já foi quitada no dia 6 de abril. “Se a Santa Casa não é obrigada a ter (determinado serviço) e está dando prejuízo, vai ser cortado”, avisou o provedor. Para ele, a crise, que se instalou em 2010, foi agravada em razão do rompimento do hospital com a Unimed.
Além de reduzir custos e aumentar a receita, outra meta de Bonatti é baixar as parcelas mensais das dívidas. A Santa Casa tem que quitar, até o final deste ano, um valor de R$ 19,2 milhões, sendo que R$ 8 mi já venceram no dia 31 de março e mais R$ 2,9 mi terão vencimento neste mês, além dos R$ 22 milhões referentes a empréstimos de banco.
Durante a apresentação, o provedor destacou que seu compromisso é trazer uma nova mentalidade para o hospital, resgatar a parceria com o corpo clínico e agir de forma transparente, realizando prestações de contas. Desde fevereiro, a Prefeitura afirmou que não está em débito com a Santa Casa.
Foram repassados quase R$ 2 milhões até este mês. A Secretaria de Saúde também informou já ter negociado os atendimentos para a população com os municípios da região devido à paralisação dos serviços nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Neonatal e adulto e das cirurgias eletivas, uma vez que a unidade sofre com a falta de materiais básicos e algumas medicações.
Outras medidas
A desativação do centro administrativo do hospital, que funcionava em uma casa à esquina da Rua Maestro de Azevedo, foi outra providência tomada pelo provedor. A Provedoria, o Financeiro, Recursos Humanos, Assessoria de Imprensa e o departamento de Prestação de Contas voltaram a funcionar dentro do próprio hospital. A intenção de Bonatti é avaliar o imóvel desocupado e colocá-lo à venda.
Ainda foram extintos os honorários médicos, equivalentes a R$ 5 mil, o fechamento do Pronto Atendimento de Convênios, gerando uma economia de R$ 41 mil mensais, e o corte do transporte fretado para 20 funcionários, o que custava R$ 12 mil ao hospital.