terça-feira, julho 16, 2024
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Especial: uma jogada materna pela inclusão

O esporte é uma área que resume bem a vida. É cheio de faces. Tem o lado lúdico, tem o lado do sonho e tem a realização no alto rendimento. Mas ele é muito mais do que isso. Ele é paixão. E nada como o amor de uma mãe para retratar esse sentimento. Aqui vai uma história de amor, superação e inclusão. O sonho de Marcelo em jogar futebol e a determinação de sua mãe, Raquel Valéria de Oliveira Antunes é daqueles que se tornam inspiração para todos nós neste Dia das Mães.

Marcelo é um jovem de 22 anos com T21 (Síndrome de Down). Ele sempre teve um desejo ardente de fazer parte de um time, de sentir o que o futebol proporciona a tanta gente. Desde cedo, Marcelo foi incentivado por sua mãe, que dedicou seu tempo e energia para oferecer-lhe as melhores terapias e cuidados necessários para o seu desenvolvimento. Fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, equoterapia e natação fizeram parte da rotina de Marcelo, permitindo que ele enfrentasse os desafios e crescesse com confiança.

Raquel se ausentou do trabalho por um período para garantir que Marcelo recebesse toda a atenção e cuidado de que precisava, enfrentando também os problemas de saúde que ele teve desde o nascimento. No entanto, o sonho de Marcelo era mais específico: ele queria jogar futebol. Raquel e sua família relutavam em permitir, pois não encontravam um ambiente adequado para Marcelo se envolver com o esporte.

Embora ele pudesse se juntar a outras crianças sem T21, Marcelo desejava participar de jogos específicos para pessoas com T21. “Não que não podíamos colocar junto de outras crianças sem T21, mas quando o jogo é entre os T21, tem mais oportunidades de participar do jogo, tocar a bola, fazer gol, porque são ensinados as regras dos jogos, dando a oportunidade de todos participarem”, explica Raquel.

Porém, ela sentia a falta de oportunidades esportivas inclusivas aqui em Mogi Mirim. Enquanto outras cidades da região já estavam à frente em termos de inclusão esportiva, Raquel e outras mães de crianças com T21 lutavam para que seus filhos pudessem se sentir parte do mundo dos esportes e experimentar todos os benefícios proporcionados pela prática esportiva. Marcelo ansiava pelo dia de cada treino e jogo, expressando seu entusiasmo durante a semana ao assistir partidas de futebol.

Ele falava para sua mãe: “Quero fazer essa jogada, mãe! Preciso fazer musculação para ficar com as pernas e os braços mais fortes”, relembra a mãe. Marcelo estava ansioso para jogar, mas também queria que seus amigos tivessem a oportunidade. Começaram então com treinos em Mogi Guaçu e, desde março, jogam todo domingo pela manhã no Tucurão, em um horário reservado pela Secretaria de Esporte graças ao esforço destas mães, incluindo Raquel.

“É lindo ver a alegria de Marcelo em se sentir parte de algo maior, em ver-se incluído e respeitado. Todos nós podemos aprender com ele sobre respeito, amor, dedicação e alegria de viver. Além de ser uma forma de lazer, o esporte também auxilia no desenvolvimento neuropsicomotor e na socialização”, destaca.

Ela reconhece que não é algo dela. Toda mãe e todo pai desejam o melhor para seus filhos. Desejam que sejam aceitos, respeitados e tenham oportunidades. E sabe que não há recompensa maior do que ver um sorriso no rosto dos filhos. “Ouvi-los pedindo para ir para o treino, testemunhar suas comemorações após marcarem um gol e vê-los progredindo dentro do esporte é muito especial”. Do esforço das mães, veio a alegria dos filhos. Com o esporte como meio por causa da paixão de Marcelo e seus amigos, a inclusão cresce. E a inspiração para nós também.

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