terça-feira, julho 16, 2024
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Histórias de meu avô (por Silva Balestero) – Nº 804

Tenho recebido colaborações de meus leitores para a coluna Memorial. De Campinas, recebi uma poesia de Silva Balestero, que passou parte de sua existência em Mogi Mirim, da qual lembra com muito carinho os momentos emocionantes que aqui passou na infância e juventude, lembrados nesta bela poesia:

Que saudade da minha infância,
Tempinho tão bom,
Quando eu era criança
E colhia algodão.
A saudade dói no peito,
Maltratando-nos com jeito.
Que falta do sabiá
Lá na mata a cantar.

Canta, canta, sabiá!
Cante mesmo triste assim.
Canta, canta, sabiá!
Vou lembrar Mogi Mirim.

Nos tempos que eu era moço
E ainda namorava,
Co’ espingarda e cachorro
Fazia as minhas caçadas,
Quando pássaros ouvi lá no Pirapitingui.
Pelos brejos, no paul,
Ouvi cantos de um anu.

Canta, canta, sabiá!
Cante mesmo triste assim.
Canta, canta, sabiá!
Vou lembrar Mogi Mirim.

As folias do Divino e,
Também, de Santos Reis.
Eu só ia na cidade
Umas duas vezes por mês;
Oh! Urbe que m’inebria,
Oh! Cidade Simpatia.
Que saudade me tortura
Dos carnavais do Tucura.

Canta, canta, sabiá!
Cante mesmo triste assim.
Canta, canta, sabiá!
Vou lembrar Mogi Mirim.

Saudade de um cavalo
Que atendia por Mateiro,
Das angolas, do halo,
Do arado e dos roceiros.
Nossa égua era a Calçada,
Toda branca e pintada.
Parece que estou ouvindo
Beira-Mar e Campo-Limpo.

Canta, canta, sabiá!
Cante mesmo triste assim.
Canta, canta, sabiá!
Vou lembrar Mogi Mirim.

Recordo o meu paizinho
A lenhar no Capão Grosso,
E ainda ouço o mugido
Dos bravos garrotes mochos;
O tio João indo e voltando
Com o seu carro-de-boi.
E a batida do monjolo
-Oh! Sonzinho que eu adoro!

Canta, canta, sabiá!
Cante mesmo triste assim.
Canta, canta, sabiá!
Vou lembrar Mogi Mirim.

Oh! Bailinhos da roça,
O catira também,
Onde o preço do quentão
Era sempre um vintém.
Hoje cá, na cidade,
Eu convivo co’ a saudade;
Conto isso para meu neto:
-Sabiá ficou quieto…

NOVO LIVRO
Vem aí, nos próximos dias, meu sexto livro, o volume 4 da coleção ‘Memórias Mogimirianas’. Estará à venda na banca da Praça Rio Barbosa e na Livraria e Papelaria Papiro. Novas e surpreendentes histórias sobre o povo e a cidade de Mogi Mirim. Imperdível!

PRECEITOS BÍBLICOS
“Não fecheis o coração, ouvi vosso Deus. Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra e ajoelhemos ante o Deus que nos criou. Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que ele conduz com sua mão”. (Salmo 94).

TÚNEL DO TEMPO
Em 17 de novembro de 1798, Mogi Mirim possuía em seu município 5.906 habitantes e 1.065 casas habitadas.

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