terça-feira, julho 16, 2024
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Ir à academia é terapia?

POR VINICIUS RUIZ
@psi.viniciusruiz

Após a popularização da palavra “terapia”, falas do tipo “ir à academia é a minha terapia!” se tornaram comuns. Porém, uma vez que tais falas passam a ser repetidas, também passa a ser natural que perguntemos: será que atividades como “ir à academia” são a mesma coisa do que, de fato, fazer terapia?

Essas atividades produzem o mesmo efeito que um processo de psicoterapia? Poderiam, então, substituir a psicoterapia? A primeira coisa que deve ser dita é que aqui reside uma grande confusão. E o centro desta confusão está no sentido popular que a palavra “terapia” foi tomando neste curto espaço de tempo. Resumindo o problema em poucas palavras: ainda não se sabe diferenciar “terapia” de “terapêutico”. É precisamente isto que vou explicar neste espaço.

Terapêutico é, grosso modo, tudo aquilo que pode proporcionar um bem-estar ou conforto. Neste sentido, quase tudo pode ser terapêutico, e isto varia de pessoa para pessoa. Para Pedro, é terapêutico ir à academia e assistir ao seu time de futebol – dependendo do resultado, é claro; Para João, ter um momento de leitura diário e ir pescar ao final do mês. Os exemplos são infinitos.

Já a terapia ou psicoterapia é o estabelecer de uma relação terapeuta-paciente, que visa, principalmente, a compreensão/resolução de problemas emocionais. Luto, problemas de relacionamento, ansiedade, inquietações existenciais ou “simplesmente” autoconhecimento. E a terapia/psicoterapia vai de encontro a tudo isso. Possui método e técnicas para lidar diretamente com estas demandas.

Obviamente, atividades terapêuticas, como ir à academia ou qualquer um dos exemplos citados, podem ajudar no processo de superação de um luto ou término de relacionamento, por exemplo. Aliás, nós psicólogos recomendamos atividades que geram este tipo de bem-estar e conforto aos nossos pacientes.

Mas não devemos esquecer que estas atividades não são capazes de ir de encontro ao problema em si mesmo. Elas produzem, sim, um bem-estar, mas não lidam com o problema diretamente. Ou seja, não são a mesma coisa, não produzem o mesmo efeito e nem substituem uma boa psicoterapia – mas certamente ajudam no processo.

Resumo da ópera: terapia/psicoterapia é diferente de terapêutico/atividades terapêuticas. Mas ambas as coisas podem – e devem – andar juntas.

Qualquer dúvida sobre psicoterapia, estou à disposição!

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